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Nossa Vocação e Eleição – Jonathan Edwards (1703-1758)


Aquela religião que Deus requer, e irá aceitar, não consiste de desejos fracos, mórbidos e sem vida, que sequer nos tiram de um estado de indiferença. Deus, em sua palavra, insiste grandemente nisto, que estejamos em boa, séria e fervorosa disposição, e nossos corações vigorosamente engajados na religião...

Os que assim insistem no "pessoas vivendo pela fé" — enquanto elas não têm qualquer vivência prática e estão em muito más condições — são também muito absurdos em sua noção de fé. O que eles entendem por "fé" é crer que tais pessoas estão em bom estado. Por isso, consideram ser um pecado terrível elas duvidarem de seu estado, não importa em que condições estejam e quais impiedades pratiquem, pois esse é o grande e odioso pecado da incredulidade.

E o melhor homem, o que mais honra a Deus, é aquele que mantém a esperança de seu bom estado da forma mais confiante e inalterável, só tendo o mínimo de evidência ou experiência; isto é, quando ele está nas piores condições e situações. Porque, deveras, isto é um sinal de que ele é forte na fé, dando glória a Deus, e contra a esperança crê na esperança. Mas de que Bíblia eles aprendem essa noção de "fé", de que fé é o homem crer, confiantemente, que está num bom estado? Se isto é fé, os fariseus tinham fé em grau eminente; e alguns deles, Cristo ensina, cometeram o pecado imperdoável contra o Espírito Santo...

...Pode ser por incredulidade ou por terem tão pouca fé, que eles têm tão pouca evidência de seu bom estado. Se tivessem mais experiência em atitudes de fé e, portanto, maior experiência no exercício da graça, teriam evidência mais clara de que seu estado é bom; e, assim, suas dúvidas seriam removidas...

...Não é desígnio de Deus que os homens obtenham segurança por qualquer outro meio senão a mortificação da corrupção, o crescimento na graça e a obtenção dos seus exercícios de vida. E apesar de o auto-exame ser um dever de grande utilidade e importância, e que de forma alguma deve ser negligenciado, esse não é o meio principal pelo qual os santos obtêm a certeza do seu bom estado. A segurança não se obtém tanto pelo auto-exame, mas pela ação. Foi desse modo, principalmente, que o apóstolo Paulo procurou segurança, a saber, esquecendo-se das coisas que para trás ficavam e buscando as que estavam à frente, prosseguindo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus; para de algum modo alcançar a ressurreição dentre os mortos.

E foi principalmente por esse meio que ele alcançou a segurança (1 Coríntios 9.26). "Assim corro também eu, não sem meta." Ele obteve a segurança de receber o prêmio mais por correr do que por considerar... Ser totalmente diligente quanto ao crescimento na graça, acrescentar à fé a virtude, etc, é a orientação que nos dá o apóstolo Pedro para confirmarmos a nossa vocação e eleição e termos amplamente suprida a nossa entrada no reino eterno de Cristo. Sem isso, nossos olhos estarão obscurecidos, e seremos como homens nas trevas; não poderemos ver claramente nem o perdão dos nossos pecados passados, nem a nossa herança celestial, que é futura e distante (2 Pe 1.5-11).

John MacArthur – Repense seu Amor por Cristo


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AVI
Por John MacArthur. © Grace To You. Website:gty.org

Tradução e Edição: voltemosaoevangelho.com


Permissões:
Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que adicione as informações supracitadas, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

[ENCARNAÇÃO] Ronald Hanko - A Natureza Humana Fraca de Cristo



Olhemos agora para a quarta grande verdade sobre a natureza humana de Cristo: que aquele que agora tem uma natureza humana glorificada, teve uma natureza humana fraca enquanto na terra. Sua natureza humana, além de real , completa e sem pecado , era fraca .



Porque Cristo tinha uma natureza humana fraca, durante seu tempo de vida terreno ele esteve sujeito a todos os males resultantes do pecado, embora não ao próprio pecado. Ele esteve sujeito à doença, fome, sofrimento, dor, fraqueza e até mesmo à morte, assim como nós. Ele foi “tocado com o sentimento das nossas fraquezas” (Hb. 4:15, KJV).



Romanos 8:3, que diz que Cristo veio em semelhança da carne do pecado, também ensina essa verdade. Visto que o versículo não pode significar que ele mesmo era pecador, o mesmo pode se referir apenas ao fato que ele estava sujeito a todos os males que o pecado trouxe sobre nós, a saber, às fraquezas da nossa carne do pecado.



Cristo, então, não veio em semelhança da carne sem pecado . Ele não era como Adão, que após ser criado desfrutou de toda a glória e esplendor do seu primeiro estado. Ele foi feito como nós, que perdemos aquele estado e recebemos não somente a depravação e culpa, mas também a maldição de Deus.



Essa é uma verdade importante. Enfermidade, sofrimento, dor e morte são resultados do nosso pecado e da maldição de Deus sobre nós. Cristo ter suportado as nossas fraquezas é parte dele ter sido feito maldição para nós. Ele tomou todas as nossas fraquezas sobre si, tomando nossa maldição e afastando-a de nós. Que conforto para nós, portanto, são todas as suas fraquezas!




Isaías disse tudo isso quando profetizou de Cristo e o chamou de “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is. 53:3, RA). Seus sofrimentos, disse Isaías, deveriam ser explicados assim: “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si… ele foi traspassado pelas nossas tr ansgressões e moído pelas nossas iniqüidades ”. Por seu sofrimento, dor e tristeza “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele” (vv. 4,5).



Não foi apenas a morte de Cristo que teve poder expiatório, mas também o sofrimento que ele suportou durante toda a sua vida sobre a terra. Ele confessou isso quando disse: “Porque a minha vida está gasta de tristeza, e os meus anos, de suspiros; a minha força descai por causa da minha iniqüidade, e os meus ossos se consomem” (Sl. 31:10).



Existe conforto adicional para nós nas aflições e sofrimentos de Cristo; elas significam que ele conhece nossas provações e sofrimentos por experiência própria. Ele passou por elas, e não podemos dizer que ninguém pode entender verdadeiramente nossas provações. Cristo entende!



Dessa forma, também, as fraquezas, dores, tristezas e sofrimentos do nosso Salvador são parte da nossa salvação. Que não apenas contemplemos e vejamos que não existe nenhuma dor como a sua (Lm. 1:2), mas creiamos nisso!



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Por Ronald Hanko. Tradução: monergismo.com

[DEVOCIONAL] John Piper - Fontes Transcendentes de Ternura

John Piper - Uma Vida Voltada para DeusFontes Transcendentes de Ternura
por John Piper


A ternura de Deus para com os humildes está arraigada em sua auto-suficiência transcendente. Isto significa que aqueles que amam enaltecer a grandeza de Deus (o que todos deveriam fazer, de acordo com Salmos 40.16) precisam deleitar-se na ternura para com os humildes. Deus exalta a sua auto-suficiência transcendente por amar o órfão, a viúva e o estrangeiro.

Deus é Deus sobre todos os outros deuses. Ele é o Senhor sobre todos os senhores. Ele é "grande". É "poderoso". É "temível". Com base nesta grandeza, Moisés disse que Deus "não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno". Tudo isso enfatiza a auto-suficiência transcendente de Deus. Ele não aceita suborno, porque não tem motivo para aceitá-lo. Deus já possui todo o dinheiro do universo, e controla o subornador. Ele está acima dos subornos como o sol está acima das velas ou como a beleza está acima dos espelhos.

Moisés também disse que Deus não faz acepção de pessoas. Ou seja, Ele não tenta conquistar o favor de alguém por meio de tratamento especial. Fazer acepção de pessoas é outro tipo de suborno, não com dinheiro, mas com tratamento privilegiado. Deus está acima disso, porque não precisa do favor dos outros. Se Ele quer que algo seja feito, não fica preso a estratégias coercivas. Ele simplesmente o realiza. Fazer acepção de pessoas é o que você faz, quando não pode enfrentar as conseqüências da justiça. Mas Deus não é somente capaz de enfrentar essas conseqüências, Ele é a fonte de toda capacidade de enfrentá-las. Deus não depende de ninguém, além dEle mesmo. Ele é transcendentemente auto-suficiente.

Agora, temos a parte mais preciosa. Com base nessa auto-suficiência transcendente, Moisés disse que Deus "faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes". Visto que Deus não pode ser subornado pelo rico e não tem deficiências a serem remediadas por meio do favoritismo, Ele trabalha em favor daqueles que não se podem dar ao luxo de pagar subornos e que nada têm para atrair a parcialidade dEle — o órfão, a viúva e o estrangeiro. Esta é a razão por que eu disse que a ternura de Deus para com o humilde está arraigada em sua auto-suficiência transcendente.

Em seguida, temos a aplicação no versículo 19: "Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito". Isto não deve ser feito por sermos transcendentemente auto-suficientes. Deve ser feito por sermos os beneficiários da abundante plenitude transcendente de Deus. Visto que o nosso Deus transcendente age por nós e nos satisfaz consigo mesmo, podemos nos unir a Ele em condescendência. Esta é a razão para crermos que continuaremos a ser beneficiários, se não tentarmos suborná-Lo com nossas obras ou exibir-nos para conquistar a predileção dEle. Se nos reconhecermos como pessoas em condição de desamparo, semelhante à de uma viúva, de um órfão ou de um estrangeiro, e dependermos da espontânea graça futura de um Salvador auto-suficiente, seremos amados para sempre. E, sendo amados dessa maneira, teremos poder e prazer em amar como somos amados.

Isto é o que está subentendido em Tiago 1.27: "A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações". Esta é a verdadeira religião, porque flui da auto-suficiência transcendente de Deus, é sustentada pela sua graça e ecoa para a sua glória. Isto não corresponde a fazer o bem socialmente. É uma evidência da abundante provisão de Deus. Que Deus nos torne um povo cheio de ternura, para a glória de sua transcendente auto-suficiência!






Extraído do livro: Uma Vida Voltada para Deus, de John Piper.



Copyright: © Editora FIEL



O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

John Piper - Plena Satisfação em Deus [Sessão 6]

O AMOR VERDADEIRO: Dever ou Deleite? (parte 2)



Veja nesta série, as seguintes sessões:

A BUSCA PELA ALEGRIA: Uma História Pessoal
A SUPREMACIA DE DEUS: Deus é Vaidoso?
BUSCAR A PRÓPRIA ALEGRIA: Isso não é Hedonismo?
BUSCAR A PRÓPRIA ALEGRIA: Uma Ordem de Deus!
O AMOR VERDADEIRO: Dever ou Deleite? (parte 1)




Por John Piper. © Desiring God. Website: desiringGod.org
Disponibilizado pela: editoraFIEL.com.br

John Piper - Plena Satisfação em Deus [Sessão 7]





SOFRIMENTO: Pela alegria que está proposta (parte 1)




Plena Satisfação em Deus - Parte 7 from Editora Fiel on Vimeo.







Esta séries de mensagens foram criadas originalmente pelo Desiring God para servirem como estudos curtos para grupos pequenos, ensinando a busca de nossa alegria em Deus. Se você faz parte ou lidera um grupo pequeno, considere adquirir o DVD com todas as mensagens na Editora Fiel.







Por
John Piper. © Desiring God. Website: desiringGod.org

Disponibilizado pela: editoraFIEL.com.br

Soberania de Deus: Logicidade x Biblicidade



Uma das mais famosas objeções à Soberania de Deus é a suposta incoerência lógica em aceitar que O Senhor preordena cada detalhe do universo e, mesmo assim, os homens continuam agentes responsáveis. É interessante notarmos, primeiramente, que essa não é uma critica teológica, mas filosófica. Ou seja, ela apresenta uma falta de comprometimento com os textos bíblicos que defendem a Soberania Absoluta de Deus sobre tudo e atem-se às considerações decorrentes da análise teológica. Logo, essa questão não é o centro da discussão (que são os textos bíblicos), mas um ponto secundário.


É triste ver que algumas pessoas rejeitam algum ensino ou por não gostarem dele ou por o acharem intelectualmente confuso, quando, na verdade, o único ponto que deveria influir na aceitação de uma doutrina deveria ser sua coerência com as Escrituras. Quando vejo alguém rejeitar a Soberania de nosso Deus porque isso soa paradoxal, só posso acreditar que tal homem não crê verdadeiramente na Sola Scriptura.


Deixe-me citar um exemplo. Se considerarmos as “Testemunhas de Jeová”, veremos que elas submetem as Escrituras à sua lógica, e não o contrário. Elas alegam que é logicamente incoerente um Deus amoroso mandar pessoas para sofrerem eternamente no inferno. Essa é a base para a interpretação delas. Assim sendo, ao invés das Escrituras ditarem o que é lógico ou não, essa análise fraca delas é quem guia a leitura bíblica. Logo, todo verso que fala do inferno de fogo é deturpado, retalhado e ignorado. É certo que a maioria das pessoas age assim. Os conceitos pré-formados é que ditam o entendimento das Sagradas Letras. No lugar de submeter o que cremos ser lógico à Luz das Escrituras, queremos que a Bíblia siga nossos pobres e inferiores padrões de raciocínio. Com isso, não só minimizamos Deus, mas também deturpamos Sua Palavra.


Voltando a questão inicial, precisamos responder a alegação de que é contraditório Deus preordenar cada detalhe do universo, até mesmo os desígnios dos homens, e os seres humanos continuarem sendo responsáveis pelas suas atitudes. Para isso, precisamos definir o que é um pa-radoxo, uma contradição e um mistério.


Resumidamente, paradoxo é uma aparente contradição que, com uma análise mais profunda, poderá ser descoberta como uma contradição ou não. Por exemplo, quando Jesus disse que quem perdesse a vida por causa d'Ele a acharia (Mt 10:39), isso é um verdadeiro paradoxo. Como eu acho a minha vida perdendo-a? Com um estudo mais cuidadoso, vemos que o que Jesus estava dizendo era que quem perde sua vida nesta terra, encontrará vida novamente nos céus. Logo, esse paradoxo revelou-se como coerente e não como uma contradição.


Sobre o que significa uma contradição, R. C. Sproul o define muito bem em seu livro Essential Truths of the Christian Faith:


O termo paradoxo é freqüentemente mal-interpretado como sendo sinônimo de contradição; agora, inclusive, aparece em alguns dicionários como um significado secundário desse termo. Uma contradição é uma afirmação que viola a lei clássica da não-contradição. A lei da não-contradição declara que A não pode ser A e não-A ao mesmo tempo e no mesmo contexto. Quer dizer, algo não pode ser o que é e não ser o que é ao mesmo tempo e no mesmo contexto. Essa é a mais fundamental de todas as leis da lógica. Ninguém pode entender uma contradição, porque uma contradição é inerentemente incompreensível. Nem mesmo Deus pode entender contradições; entretanto, certamente Ele pode reconhecê-las pelo que são - falsidades.



Já o termo mistério refere-se a algo que ainda não nos foi revelado pelas Escrituras. Algo que nós não conseguimos compreender nesta terra, mas que entenderemos quando Cristo nos revelar nos céus.


Então, depois que consideramos esses termos, o que dizer sobre a Soberania de Deus e a responsabilidade do homem? Primeiro, precisamos analisar o que as Escrituras dizem sobre isso. E neste ponto, podemos ver claramente o Senhor mostrando-se Soberano sobre o homem enquanto este é responsável por suas escolhas:


1. Deus engana o profeta e o pune por ter sido enganado;


"E se o profeta for enganado, e falar alguma coisa, eu, o SENHOR, terei enganado esse profeta; e estenderei a minha mão contra ele, e destruí-lo-ei do meio do meu povo Israel. E levarão sobre si o castigo da sua iniqüidade; o castigo do profeta será como o castigo de quem o consultar" (Ezequiel 14:9,10).


2. O Faraó endurece o próprio coração, sendo Deus o responsável por tal atitude;


“Vendo Faraó que cessou a chuva, e a saraiva, e os trovões, pecou ainda mais; e endu-receu o seu coração, ele e os seus servos. Assim o coração de Faraó se endureceu, e não deixou ir os filhos de Israel, como o SENHOR tinha dito por Moisés. Depois disse o SENHOR a Moisés: Vai a Faraó, porque tenho endurecido o seu coração, e o coração de seus servos, para fazer estes meus sinais no meio deles, e para que contes aos ouvidos de teus filhos, e dos filhos de teus filhos, as coisas que fiz no Egito, e os meus sinais, que tenho feito entre eles; para que saibais que eu sou o SENHOR” (Êxodo 9:34 – 10:2).


3. Os homens mataram Jesus, porém Deus havia pré-determinado tal ato;


"A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendes-tes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos" (Atos 2:23).
"Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer" (Atos 4:27,28).



4. Satanás incitou Davi a fazer um censo, sendo isso uma punição do próprio Deus.


"Tornou a ira do SENHOR a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá” (II Sm 24:1).
“Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel” (1 Cr 21:1)


Como negar tais textos? O próprio Deus, cuja vontade ninguém pode resistir, engana o pro-feta para profetizar e condena-o por ter profetizado. O Faraó endurece o próprio coração – sendo condenado por isso – ao mesmo tempo em que Deus é quem endurece o coração dele. Os homens cometeram o pecado de matar Jesus, mas Deus havia predeterminado tal ato desde antes da fundação do mundo. Foi Satanás quem incitou Davi ou foi Deus quem o fez? Existem várias considerações que precisariam acompanhar esses textos, mas, por ora, a resposta suficiente é: Deus é Soberano sobre tudo de um modo tal que, incompreensivelmente, os seres continuam agentes livres e responsáveis.


Muitos poderão levantar-se e retrucar: “Isso é contraditório!”. Na verdade, isso é paradoxal. Não encontramos a regra da não-contradição sendo quebrada em parte alguma. Ou seja, precisamos de uma análise mais profunda para descobrir se esse paradoxo é coerente ou não.


Embora isso não seja unânime, acredito que esse paradoxo, na verdade, é um mistério. As Escrituras não revelam como Deus opera para que o homem seja responsável por suas atitudes ao mesmo tempo em que Ele preordena cada atitude dos homens. Outros podem questionar que, por ser algo que não nos foi revelado, não pode ser ensinado ou crido. Mas será que isso é realmente coerente? Para muitos, os elétrons se comportarem como ondas e partículas simultaneamente é paradoxal, mas isso não deixa de ser ensinado nas escolas, pois eles acreditam que, no futuro, quando homens com mentes mais elevadas surgirem, os estudos avançarão e conseguiremos compreender esse mistério.


A questão real é: o que define uma doutrina como ilógica? Creio que sua incoerência com as Escrituras, e não sua facilidade de ser entendida. Sei que teremos uma resposta lógica de Deus nos céus, quando nossa mente for restaurada e elevada, mas, hoje, só posso esperar que os homens contentem-se com a informação que temos: “A Bíblia assim ensina”. Desta maneira, confiaremos mais no que Deus revela através de Sua Palavra, e não em nossa pobre ignorância. Obedeceremos, assim, o mandamento de Deuteronômio: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR...” (29:29).

A Coletânea de Jonathan Edwards: Como Pode Deus Decretar o Pecado Sem Pecar?



Jonathan Edwards oferece sua explicação (Veja abaixo minha tentativa de reafirmá-lo.)

É muito consistente quando dizemos que Deus decretou cada ação do homem, sim, cada ação que ele toma que é pecaminosa e cada circunstância dessas ações.. . . e ainda assim, que Deus não decreta as ações que são pecaminosas como pecaminosas, mas [as] decreta como boas.



Não queremos dizer que decretar uma ação pecaminosa, seja o mesmo que decretar uma ação para que ela seja pecaminosa; mas ao decretar uma ação pecaminosa, quero dizer decretá-la em razão da pecaminosidade da ação. Deus decreta que será pecaminosa em razão do bem que ele faz surgir de tal pecaminosidade, enquanto que o homem a decreta pelo mal que há nela. (Coletânea nº85, parágrafo adicionado)
Em outras palavras, Deus pode decretar uma ação que é pecaminosa para um humano executar, porque ele a decreta por razões não-pecaminosas.



Um pecado só é pecaminoso por causa da atitude do coração que o executa. Quando humanos pecam, estamos por definição nos rebelando contra Deus. Mas ao ordenar o pecado humano, Deus não se rebela contra si mesmo. Pelo contrário, ele ordena nossos pecados com bons fins em mente, o que faz do ato de ordená-los não-pecaminoso, uma vez que a atitude de seu coração não é rebelde, mas justa.




Algumas expressões bíblicas que parecem sustentar este entendimento são Gênesis 50:20 e Romanos 11:32.



Por Jonathan Edwards. Original: edwards.yale.edu

Tradução: voltemosaoevangelho.com

Permissões:
Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que adicione as informações supracitadas, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

[REFORMANDA] Celebração dos 493 anos da Reforma Protestante (7)



Soli Deo Gloria


“Porque dele e por meio dele e para ele são todas as cousas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém” (Romanos 11:36)


Somente para Deus a glória, e unicamente para Ele. A Igreja existe para a demonstração deste valor: o valor que Ele tem. Não a respeito de nós, ou o que nós buscamos ter, mas sim exclusivamente a Ele, de modo que os hinos e cânticos girem em torno da pessoa e dos atributos de Deus. A mensagem não deve ser antropocêntrica (o homem como o centro) e sim Cristocentrica (Cristo como o centro).



Somente para Deus a glória, e unicamente para Ele. Este o fim principal da nossa existência: a glória de Deus. Glorificar a Deus é tão somente reconhecer a atribuir a Ele todas as perfeições dEle. Somente na pessoa dEle termos o nosso gozo.



Somente para Deus a glória, e unicamente para Ele, sendo Ele a fonte (Porque dele) o mantenedor (por meio dele), e o alvo (para ele são todas as coisas) de tudo isso. Sendo assim, a vida dentro e fora da igreja vem dEle. Se obtermos dEle o que necessitamos, sermos mantidos por Ele e com o fim de para Ele fazermos todas coisas.



Como inicia o Catecismo Maior de Westminster diz: Qual é o fim supremo e principal do homem? Resposta. O fim supremo e principal do homem e glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. (Rom. 11:36; 1 Cor. 10:31; Sal. 73:24-26; João 17:22-24).




Auto-exame:

1) As musicas que você canta a Deus giram em torno dEle ou de outras coisas? E as pregações, orações, conversas, etc?



2) Você cobra de si atitudes de um modo tal que é como se você fosse o meio para que algo acontecesse e que tudo estivesse em suas mãos?



3) Você tem buscado sua alegria em Deus, em Seu louvor, em todas as áreas da sua vida?

A Coletânea de Jonathan Edwards: A Harmonia de Todos os Decretos de Deus

Se Deus já quis enviar chuva, então porque orar por isso? Ou, se Deus já escolheu salvar você, então porque lutar tão duramente contra a tentação?



Edwards dá sua resposta para perguntas como estas na Coletânea #29 (reformatada para facilitar a leitura):
Deus decreta todas as coisas harmoniosamente e em ordem excelente; um decreto se harmoniza com outro, e a relação entre todos os decretos faz a mais excelente ordem. Assim, Deus decreta a chuva no deserto por decretar as mais ardentes orações de seu povo; ou então, ele decreta as orações de seu povo por decretar a chuva.



Eu admito: dizer Deus decreta algo “porque,” é uma maneira imprópria de falar, mas não mais imprópria do que todas as nossas formas de falar a respeito de Deus. Deus decreta o último evento por causa do primeiro, não mais do que ele decreta o primeiro por causa do último.



Mas é isto o que nós queremos dizer: quando Deus decreta dar as bênçãos de chuva, ele decreta as orações de seu povo; e quando ele decreta as orações de seu povo, ele muito comumente decreta a chuva; e, através disto, há uma harmonia entre estes dois decretos, da chuva e da oração do povo de Deus.




Assim também,



•    quando ele decreta diligência e esforço, ele decreta riqueza e prosperidade;

•    quando ele decreta prudência, ele frequentemente decreta sucesso;

•    quando ele decreta empenho, ele frequentemente decreta a obtenção do reino dos céus;

•    quando ele decreta a pregação do evangelho, então ele decreta o trazer de almas para Cristo;


•    quando ele decreta boas faculdades naturais, diligência e boas vantagens, então ele decreta aprendizado;

•    quando ele decreta verão, então ele decreta o crescimento das plantas.



Assim, quando ele decreta conformidade com seu Filho, ele decreta chamado; e quando ele decreta chamado, ele decreta justificação; e quando ele decreta justificação, ele decreta glória eterna.



Assim, todos os decretos de Deus são harmoniosos; e isso é tudo o que pode ser dito a favor ou contra os decretos absolutos ou condicionais. Mas digo uma coisa: é impróprio fazer de um decreto a condição de outro, muito mais do que fazer do outro a condição do primeiro; mas há harmonia entre ambos.

A Coletânea de Jonathan Edwards: Há Duas Vontades em Deus? Sim.



Se você nunca ouviu sobre a existência de duas vontades em Deus, eu recomendo que leia o artigo de John Piper “Are There Two Wills in God?” (o qual é também um apêndice do livro The Pleasures of God).



Em essência, a doutrina afirma que há… bem… duas vontades em Deus. A primeira vontade é sua vontade de ordenança (ou, como Edwards diz abaixo, “lei”). Esta é expressada através dos desejos revelados de Deus para as pessoas, desejos como “não matarás,” ou “amarás a teu próximo como a ti mesmo.”



A segunda vontade é a vontade de decreto, que é a vontade pela qual Deus provoca tudo o que de fato acontece, quer esteja de acordo com sua vontade de ordenança ou não. Esta é conhecida também como sua vontade secreta, uma vez que o que Deus pretende fazer em qualquer evento é incognoscível para nós, exceto aquilo que ele nos revela através de profecia.




Eis aqui a Coletânea nº 7 completa de Jonathan Edwards (reformatada um pouco por mim), a qual ele escreveu em defesa desta noção de duas vontades:
Os Arminianos ridicularizam nossa distinção das vontades secreta e revelada de Deus, ou melhor dizendo, nossa distinção entre o decreto e a lei [de Deus], porque nós dizemos que ele pode decretar uma coisa e ordenar outra; dizem também que nós colocamos inconsistência e contradição em Deus, como se uma vontade sua contradissesse e fosse diretamente contrária a outra.



No entanto, se eles chamarão isso de contradição de vontades, nós certamente e absolutamente sabemos que tal coisa existe, então eis o maior absurdo de discutir a respeito disso.



* Nós e eles [sabemos que foi] a vontade secreta de Deus que Abraão não sacrificasse seu filho, no entanto, ainda assim sua ordem foi para que o fizesse.

* [Nós] certamente sabemos que Deus quis que o coração de Faraó fosse endurecido, e ainda assim o endurecimento de seu coração foi seu pecado.

* Nós sabemos que Deus quis que [os] egípcios odiassem o povo de Deus. Salmo 105:25: “Mudou-lhes o coração para que odiassem o seu povo e usassem de astúcia para com os seus servos.”


* Nós sabemos que foi a vontade de Deus que Absalão se deitasse com as esposas de Davi. 2Samuel 12:11-12: “Assim diz o SENHOR: Eis que da tua própria casa suscitarei o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres à tua própria vista, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com elas, em plena luz deste sol.Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei isto perante todo o Israel e perante o sol.”

* Nós certamente sabemos que Deus quis que Jeroboão e as dez tribos se rebelassem.



Nós sabemos que o mesmo pode ser dito da pilhagem dos Babilônios; e outros exemplos podem ser dados. A Escritura nos diz claramente que Deus quer endurecer alguns homens (Romanos 9:18), quis que Cristo fosse morto por homens, [etc.].


Por Jonathan Edwards. Original: edwards.yale.edu

John Piper - Plena Satisfação em Deus [Sessão 5]





O AMOR VERDADEIRO: Dever ou Deleite? (parte 1)







Veja nesta série, as seguintes sessões:

  1. A BUSCA PELA ALEGRIA: Uma História Pessoal
  2. A SUPREMACIA DE DEUS: Deus é Vaidoso?
  3. BUSCAR A PRÓPRIA ALEGRIA: Isso não é Hedonismo?  
  4. BUSCAR A PRÓPRIA ALEGRIA: Uma Ordem de Deus!






Por
John Piper. © Desiring God. Website: desiringGod.org

Disponibilizado pela: editoraFIEL.com.br

[AGNOSTO THEO] John Piper - O Senhor; Um Deus Cheio de Graça e Misericórdia



Êxodo 34:1-10

Então, disse o SENHOR a Moisés: Lavra duas tábuas de pedra, como as primeiras; e eu escreverei nelas as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas, que quebraste. E prepara-te para amanhã, para que subas, pela manhã, ao monte Sinai e ali te apresentes a mim no cimo do monte. Ninguém suba contigo, ninguém apareça em todo o monte; nem ainda ovelhas nem gado se apascentem defronte dele. Lavrou, pois, Moisés duas tábuas de pedra, como as primeiras; e, levantando-se pela manhã de madrugada, subiu ao monte Sinai, como o SENHOR lhe ordenara, levando nas mãos as duas tábuas de pedra.



Tendo o SENHOR descido na nuvem, ali esteve junto dele e proclamou o nome do SENHOR. E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniqüidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração! E, imediatamente, curvando-se Moisés para a terra, o adorou; e disse: Senhor, se, agora, achei graça aos teus olhos, segue em nosso meio conosco; porque este povo é de dura cerviz. Perdoa a nossa iniqüidade e o nosso pecado e toma-nos por tua herança.



Então, disse: Eis que faço uma aliança; diante de todo o teu povo farei maravilhas que nunca se fizeram em toda a terra, nem entre nação alguma, de maneira que todo este povo, em cujo meio tu estás, veja a obra do SENHOR; porque coisa terrível é o que faço contigo.


ÊXODO 34 É PROVA DA MISERICÓRDIA DE DEUS



O simples fato de Êxodo 34 existir é prova de que Deus é um Deus de misericórdia. Esta é a segunda vez que Deus encontra Moisés no monte para fazer uma aliança com o povo de Israel. Quando Moisés desceu do monte na primeira vez, o povo tinha se corrompido pelo amor às obras de suas próprias mãos. Estavam adorando um bezerro de ouro.




A aliança que Deus fez com o povo na montanha pela primeira vez, foi assim: "Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa" (Êx. 19:5-6). Mas ao invés de descansar na estima de Deus, o povo se tornou inquieto e desejou a estima de sua própria feitura. Então trocaram a glória do Deus invisível pela imagem de sua própria glória — uma vaca de ouro.



Eles foram descrentes no Mar Vermelho. Eles murmuraram contra Deus no deserto. Então sua rebelião com o bezerro de ouro deveria ter acabado com a paciência de Deus. Já chega desse povo de dura cerviz!



Mas cá estamos novamente no monte, aguardando a revelação de Deus. O povo não foi destruído. O simples fato desse encontro é prova de que Deus é misericordioso.



Deus Proclama Seu Nome a Moisés



Mas há algo ainda mais incrível que o simples fato de que Deus está disposto a encontrar Moisés novamente e renovar a aliança; a saber, o conteúdo do que Ele revela. Êxodo 34:5 diz: Tendo o SENHOR descido na nuvem, ali esteve junto dele e proclamou o nome do SENHOR.



Deus clama no versículo 6: “Javé! Javé!” E então ele decifra o significado daquele nome em palavras cuja doçura nunca foi superada, nem mesmo no Novo Testamento: "Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado."




DOIS PROBLEMAS NA AUTO DESCRIÇÃO DE DEUS



Deus é JAVÉ — o Deus que é, o Deus que é livre, o Deus que é todo-poderoso, e o Deus que é misericordioso. Há uma conexão entre sua absoluta existência, sua soberana liberdade, sua onipotência e sua transbordante misericórdia. Mas antes de mirarmos nisso, há dois problemas para lidar nesse texto:



1- Quem Deus perdoa e quem não perdoa



Primeiro, depois de declarar o fato de que Deus "perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado" (versículo 7), o texto prossegue e diz: "Ainda que não inocenta o culpado." Então o problema é: Como pode Ele perdoar o culpado e não inocentar o culpado? Ou: quem são os culpados que ele perdoa e quem são os culpados que ele se recusa a perdoar?



A forma mais frutífera que encontrei para responder isso é vendo como os outros escritores do Velho Testamento usaram essa passagem. Tome Joel e Jonas por exemplo.



O uso de Joel desta passagem




Em Joel 2:12-13, Deus diz ao povo rebelde:  "Ainda assim, agora mesmo, diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes." E Joel prossegue em encorajar o povo: "E convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal."



Em outras palavras, Joel usa Êxodo 34:6 para estimular o povo dizendo que se eles se converterem ao Senhor, Ele afastará o mal que está prestes a trazer sobre eles. Então, a hipótese é que o povo que o Senhor não irá perdoar é o povo que não se arrependerá e não se converterá a Deus de todo seu coração. Foi assim que Joel entendeu Êxodo 34:5-7. Perdão para os arrependidos. Recusa de perdão para os não arrependidos.



O uso de Jonas desta passagem



Jonas vê as coisas da mesma maneira. Após ter pregado aos Ninivitas, eles se arrependem,



Deus os poupa, e Jonas está irritado por Deus ser tão misericordioso. Em Jonas 3:10 até 4:2 diz:


Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez. Com isso, desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado. E orou ao SENHOR e disse: Ah! SENHOR! Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te arrependes do mal.
Aqui, Jonas cita Êxodo 34:6 para explicar por que Deus afastou sua ira de um povo pecador que se arrependeu de seus maus caminhos. Essa é a natureza de Deus. Este é Seu nome. Mas note que Jonas concorda com Joel que, quer Deus perdoe os ninivitas ou não, depende se os ninivitas se arrependem ou não de seus maus caminhos.



Deus perdoa o povo culpado que se arrepende



Agora vamos voltar às palavras de Deus no Monte Sinai em Êxodo 34:6-7. Em uma mão o Senhor diz que "perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado." Na outra mão, diz que não "inocenta o culpado." Ainda assim, todos os pecadores são culpados. Então qual culpado é aquele que Ele perdoa? E qual o culpado que Ele não perdoa?



A resposta de Joel e Jonas é que ele perdoará o culpado que se converter de seu pecado e se voltar para Deus de todo seu coração. E o culpado que desprezar sua oferta de misericórdia, não será inocentado.



Este é o primeiro problema e a solução de Jonas e Joel.



2 - Os pecados do pai e os pecados dos filhos




O segundo problema neste texto vem das palavras seguintes no versículo 7. Diz que Deus "visita a iniqüidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração." Mas Ezequiel 18:20 diz: "A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai, a iniqüidade do filho." Como esses dois textos podem não contradizer um ao outro?



O que Ezequiel tem em vista



O mais crucial a observar é que Ezequiel tem em vista um filho que não segue os passos pecaminosos de seu pai, mas Êxodo tem em vista filhos que continuam nos passos pecaminosos de seus pais.



Ezequiel 18:19 diz: "Porque o filho fez o que era reto e justo, e guardou todos os meus estatutos, e os praticou, por isso, certamente, viverá." Em outras palavras, ele não morrerá pelos pecados de seu pai porque ele não está seguindo os passos de seu pai.



O que Êxodo tem em vista



Mas o paralelo a Êxodo 34:7, em Êxodo 20:5 diz que Deus visita "a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem." Em outras palavras, os filhos compartilham a punição do pai porque compartilham os pecados do pai.




Então Ezequiel ensina que qualquer filho que se converte dos caminhos pecaminosos de seu pai e obedece a Deus, não será punido pelos pecados de seu pai. E Êxodo ensina que qualquer filho que prossegue em pecar como seu pai, irá compartilhar da punição de seu pai.



Quando Deus visita os pecados dos pais nos filhos, ele não pune filhos sem pecado pelos pecados de seus pais. Ele simplesmente deixa os efeitos dos pecados do pai tomar seu curso natural, infectando e corrompendo os corações dos filhos. Para pais que amam seus filhos, esse é um dos mais sóbrios textos em toda a Bíblia.



Quanto mais deixamos o pecado falar mais alto em nossas vidas, mais nossos filhos vão sofrer por isso. O pecado é uma doença contagiosa. Meus filhos não sofrem porque eu tenho pecado. Eles pegam de mim e sofrem porque eles têm pecado.



ESPERANÇA PARA O ABATIMENTO NA AUTO DESCRIÇÃO DE DEUS



Agora, passados esses problemas, espero que possamos ouvir a mensagem com pura simpatia. Vamos voltar ao versículo 6 e a declaração do nome de Deus. O Senhor desce e proclama Seu nome: "Javé! Javé! Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado."



Há dois tipos de pessoas que são difíceis de ajudar em aconselhamento pastoral. Um pensa que foi longe demais para ser perdoado. Outro pensa que perdão é um estalar de dedos. Um pensa que é completamente desqualificado para o reino. O outro pensa que já está lá dentro. Um pensa que Deus é rigidamente irado. O outro pensa que é fácil lidar com Deus. Um é cego para o esplendor da misericórdia de Deus. O outro é cego para a magnitude de sua própria angústia.




Eu sei que encaro pessoas em ambas as categorias todo domingo de manhã. E o desafio de pregar é como falar esperançosamente para a primeira pessoa sem dar golpes na segunda. Quando se prega numa congregação grande e variada, deve haver ira e misericórdia, ameaça e promessa, aviso e conforto. E então, deve haver oração e o trabalho do Espírito Santo para que a Palavra seja ouvida na aplicação mais apropriada para a necessidade de cada pessoa.



Mas eu quero deixar explícito que o que tenho a dizer agora é para os abatidos, os humilhados, os débeis, os desesperados, os desencorajados — aqueles que podem sentir que estão além do alcance do perdão de Deus.



Cinco Expressões da Natureza de Deus



Se eu quisesse deixar claro para meus filhos que eu pretendia ser seu pai, cuidar deles e tratá-los com misericórdia, eu poderia usar duas ou três diferentes expressões e, talvez, repetiria para enfatizar a verdade daquilo que eu estava dizendo. Da mesma forma, Deus se condescende a usar nossos meios e deixa sua misericórdia clara como cristal. Ele amontoa frase sobre frase para expor seu coração de amor.



São cinco expressões:



1. um Deus compassivo e clemente;


2. longânimo;

3. grande em misericórdia e fidelidade;

4. que guarda a misericórdia em mil gerações;

5. que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado.



Quanto mais eu pondero em como essas cinco descrições de Deus são ligadas, mais elas parecem se entrelaçar.



O TRIÂNGULO DA MISERICÓRDIA DE DEUS



Mas deixe-me descrever uma maneira de ver como elas se relacionam entre si.




Imagine um triângulo; em cada ponta da base, estão a primeira e a última afirmação de Deus, a saber: compassivo e clemente (na ponta esquerda da base), e que ele perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado (na ponta direita da base).



Então, em direção ao topo, na metade do caminho, em cada lado do triângulo, imagine a segunda e a quarta afirmação de Deus, a saber, que ele é longânimo (no lado esquerdo), e que guarda a misericórdia em mil gerações (no lado direito do triângulo).



Finalmente, imagine no topo do triângulo a terceira afirmação de Deus, a saber, que ele é grande em misericórdia e fidelidade.



Agora, o objetivo desse quadro é sugerir que a primeira e a segunda afirmação estão juntas; a segunda e a quarta estão juntas; e a terceira é central para todas as cinco. Vamos começar com o principal: O topo do triângulo.



Grande em Misericórdia e Fidelidade



Deus é grande em misericórdia e fidelidade. Duas imagens me vêm à mente. O coração de Deus é uma fonte inesgotável de água que borbulha misericórdia e fidelidade no topo da montanha. Ou o coração de Deus é como um vulcão que arde tão fervorosamente de amor que explode o topo da montanha e derrama ano após ano a lava da misericórdia e fidelidade.




Quando Deus usa a palavra "grande", Ele quer que entendamos que os recursos de sua misericórdia não são limitados. De certa forma, ele é como o governo federal: Onde quer que haja necessidade, ele pode só imprimir mais dinheiro para cobri-la. Mas a diferença é que Deus tem um tesouro infinito de misericórdia de ouro para cobrir toda a moeda que Ele imprime. O governo dos Estados Unidos está em um mundo de sonhos. Deus acumula de forma muito real com os recursos infinitos de Sua deidade.



Eu disse há pouco que há uma conexão entre os três primeiros sermões dessa série e este aqui. "Deus é quem Ele é", "Deus é livre", "Deus é todo poderoso", e agora, "Deus é misericordioso". A conexão é que a absoluta existência, a soberana liberdade, e a onipotência de Deus são a plenitude vulcânica que explode em uma superabundância de misericórdia.



A absoluta magnificência de Deus significa que Ele não precisa de nós para preencher qualquer deficiência nele mesmo. Ao invés disso, Sua infinita auto suficiência transborda misericórdia sobre nós que precisamos dele. Podemos nos proteger em Sua misericórdia precisamente porque cremos na íntegra independência de Sua existência, a soberania de sua liberdade, e em seu poder ilimitado.



Então, no topo do triângulo, fica a infinita abundância da misericórdia de Deus, jorrando abaixo em cada lado para o bem de seu povo arrependido.



Longânimo, que Guarda Misericórdia



Na metade de cada lado do triângulo, estão a segunda e a terceira afirmação sobre Deus em Êxodo 34:6-7. Ele é longânimo e guarda a misericórdia em mil gerações. Quando Deus diz que guarda misericórdia, o foco é na durabilidade de sua misericórdia. Ela dura. Ela persevera. Ela continua fluindo.




E eu vejo uma conexão entre essa perseverança da misericórdia de Deus e a afirmação de que Deus é longânimo. A misericórdia não pode durar onde a ira está prestes a disparar. Se a ira de Deus está prestes a disparar, sua misericórdia não duraria um dia em minha vida. Se foguetes de ira fossem lançados dos olhos de Deus toda vez que eu pecasse, eu seria explodido em pedaços antes mesmo de eu sair da cama pela manhã.



Mas ele brada no monte Sinai: “Eu sou longânimo!” Ele retém sua ira em favor da superioridade de sua misericórdia. Ele é longânimo. Ele é extraordinariamente paciente. Por isso ele guarda misericórdia. Ele guarda e preserva sendo longânimo.



Compassivo e que Perdoa



Isso nos leva ao último par de afirmações sobre Deus na base do triângulo. Se Deus é longânimo mesmo que demos a ele amplas razões para que ele ficasse irado conosco por causa de nosso pecado, então ele deve ser muito compassivo e deve perdoar — “compassivo e clemente—perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado.” A razão pela qual Deus é longânimo, não é porque ele não nota nosso pecado, mas porque ele perdoa o nosso pecado.




E não somente alguns tipos de pecado. Para vocês, que sentem que há uma categoria de pecado que está além do perdão de Deus, por favor, submeta sua própria opinião e sentimento à Palavra de Deus. A razão pela qual Deus usou todas as três palavras hebraicas para “pecado” aqui, é para mostrar que toda sorte de e todos os graus de pecado são perdoáveis. Ele perdoa a iniquidade, a transgressão, e o pecado. Ele empilha essas palavras para deixar claro o que ele quer dizer. O único pecado que é imperdoável é aquele para o qual não houve arrependimento. Se você pode se arrepender e se desviar de seu pecado, você pode ser perdoado.



JESUS CRISTO CONFIRMA A NATUREZA MISERICORDIOSA DE DEUS



Eu fecho com este lembrete e convite: Jesus Cristo veio ao mundo para confirmar que Deus é exatamente quem ele disse ser no monte Sinai—“Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado.” Se converta de seus pecados hoje, confie em Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor, e você encontrará uma vastidão na misericórdia de Deus como a vastidão do mar.



Se alguém perguntar para você (ou talvez você pergunte a você mesmo): “Como você sabe que é assim que Deus é?” Você pode responder: “Porque Jesus Cristo viveu isso e selou isto com Seu sangue."




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Por John Piper. © Desiring God. Website:desiringGod.org

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John Piper - Plena Satisfação em Deus [Sessão 4]





BUSCAR A PRÓPRIA ALEGRIA: Uma Ordem de Deus!







Veja nesta série, as seguintes sessões:

  1. A BUSCA PELA ALEGRIA: Uma História Pessoal
  2. A SUPREMACIA DE DEUS: Deus é Vaidoso?
  3. BUSCAR A PRÓPRIA ALEGRIA: Isso não é Hedonismo? 






Por
John Piper. © Desiring God. Website: desiringGod.org

Disponibilizado pela: editoraFIEL.com.br

[DEVOCIONAL] John Piper - Quão Singular e Maravilhoso é o Amor de Cristo!

Penetrado pela Palavra - John Piper
Quão Singular e Maravilhoso é o Amor de Cristo!

por John Piper

Por muitos anos, tenho procurado entender como a centralidade de Deus em Si mesmo se relaciona com o seu amor por pecadores como eu. Muitas pessoas não vêem a paixão de Deus por sua própria glória como um ato de amor. Uma das razões para isto é o fato de que temos absorvido a definição do mundo a respeito do amor. O mundo diz: você é amado quando é mimado.

O maior problema desta definição de amor é que, ao tentarmos aplicá-la ao amor de Deus por nós, ela distorce a realidade. O amor de Deus por nós não se revela principalmente em que Ele nos valoriza, e sim em que Ele nos dá a capacidade de nos regozijarmos em apreciá-Lo para sempre. Se centralizamos e focalizamos o amor de Deus em nosso valor, estamos nos afastando do que é mais precioso, ou seja, Ele mesmo. O amor labuta e sofre para nos cativar com aquilo que é infinita e eternamente satisfatório: Deus mesmo. Por conseguinte, o amor de Deus labuta e sofre para aniquilar nossa escravidão ao ídolo do “eu” e focalizar nossas afeições no tesouro de Deus.

Podemos ver isto, de maneira surpreendente, na história da enfermidade e morte de Lázaro, em João 11.1-6:

1- Estava enfermo Lázaro, de Betânia, da aldeia de Maria e de sua irmã Marta.

2- Esta Maria, cujo irmão Lázaro estava enfermo, era a mesma que ungiu com bálsamo o Senhor e lhe enxugou os pés com os seus cabelos.

3- Mandaram, pois, as irmãs de Lázaro dizer a Jesus: Senhor, está enfermo aquele a quem amas.

4- Ao receber a notícia, disse Jesus: Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado.

5- Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.

6- Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava.

Observe três coisas admiráveis:

1. Jesus escolheu deixar Lázaro morrer. No versículo 6, lemos: “Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava”. Não houve pressa. A intenção de Jesus não era impedir o sofrimento da família, e sim ressuscitar Lázaro dentre os mortos. Isto seria verdade mesmo se Lázaro já estivesse morto, quando o mensageiro chegou a Jesus. Ele deixou Lázaro morrer ou permaneceu por mais tempo, para deixar evidente que não tinha pressa de trazer alívio imediato ao sofrimento. Algo mais importante O impelia.

2. Jesus era motivado pelo amor para com a glória de Deus, manifestada em seu tremendo poder. No versículo 4, Ele disse: “Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado”.

3.Entretanto, tanto a decisão de deixar Lázaro morrer como a motivação de glorificar a Deus foram expressões de amor para com Maria, Marta e Lázaro. O evangelista João nos mostra isto pela maneira como ele uniu os versículos 5 e 6: “Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava”.

Oh! Muitas pessoas — inclusive crentes — murmurariam por haver Jesus, insensivelmente, deixado Lázaro morrer e permitir que Marta, Maria e Lázaro e outros passassem por aquele sofrimento e infelicidade! E, se os nossos contemporâneos percebessem que Jesus fez isso motivado pelo desejo de magnificar a glória de Deus, quantos não considerariam a atitude de Jesus como insensível e severa? Isto revela quanto a maioria das pessoas estima levar uma vida livre de sofrimentos muito mais do que estima a glória de Deus. Para a maioria das pessoas, o amor é aquilo que coloca o bem-estar humano como o centro de tudo. Por conseguinte, o comportamento de Jesus é ilógico para tais pessoas.

Não podemos ensinar a Jesus o que o amor significa. Não podemos instruí-Lo a respeito de como Ele nos deve amar e colocar-nos no centro de tudo. Devemos aprender dEle o que significa o amor e o que é o verdadeiro bem-estar. O amor é fazer tudo que for necessário para ajudar os outros a verem e experimentarem a glória de Deus em Cristo, para todo o sempre. O amor mantém a Deus no centro, porque a alma foi criada para Deus.

Nas palavras de sua oração, Jesus confirma que estamos certos: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17.24). Podemos presumir que esta oração seja um ato de amor de Jesus. Mas, o que Ele pediu? Pediu que, no fim, vejamos a sua glória. O amor dEle por nós O torna central. Jesus é o único Ser cuja auto-exaltação é um ato sublime de amor. Isto é verdade porque a realidade mais satisfatória que podemos conhecer é Jesus. Portanto, para nos dar esta realidade, Ele tem de dar-nos a Si mesmo. O amor de Jesus O impeliu a orar e a morrer por nós, não para que o nosso valor se tornasse central, e sim para que a glória dEle se tornasse central e pudéssemos vê-la e desfrutá-la por toda a eternidade. “Pai, a minha vontade é que... estejam também comigo... para que vejam a minha glória”. Isto é o que significa para Jesus o amar-nos. O amor divino labuta e sofre para nos cativar com aquilo que é infinita e eternamente satisfatório: Deus em Cristo. Oh! Que vejamos a glória de Cristo — pela qual Ele deixou Lázaro morrer e pela qual Ele foi à cruz.





Extraído do livro: Penetrado pela Palavra, de John Piper.
Copyright: © Editora FIEL 2009
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

[DEVOCIONAL] John Piper - Deus é o Evangelho

Penetrado pela Palavra - John Piper
Deus é o Evangelho

por John Piper

Você já se perguntou por que o perdão de Deus é valioso? Ou, se a vida eterna é valiosa? Já se perguntou por que alguém quer ter a vida eterna? Por que desejamos viver para sempre? Estas questões são importantes por ser possível desejarmos perdão e vida eterna por motivos que comprovam que não os temos.

Por exemplo, considere o assunto do perdão. Talvez você queira o perdão de Deus por que está muito infeliz com sentimentos de culpa. Você quer alívio. Se puder crer que Deus o perdoa, você terá algum alívio, mas não necessariamente a salvação. Se quer o perdão somente por causa de alívio emocional, você não receberá o perdão de Deus. Ele não dá o seu perdão àqueles que o usam apenas para ter os dons dEle e não a Ele mesmo.

Ou, talvez, você queira ser curado de uma enfermidade ou conseguir um emprego e encontrar uma esposa. Então, você ouve que Deus pode ajudá-lo a obter estas coisas, mas que, primeiramente, seus pecados teriam de ser perdoados. Alguém o exorta a crer que Cristo morreu por seus pecados e lhe diz que, se você crer nisto, seus pecados serão perdoados. Conseqüentemente, você crê, a fim de que seja removido o obstáculo à sua saúde e consiga um emprego ou uma esposa. Isto é salvação pelo evangelho? Não creio que seja.

Em outras palavras, o que você espera receber por meio do perdão é importante. O motivo por que você deseja o perdão é importante. Se quer o perdão tão-somente por que deseja gozar da criação, então, o Criador não é honrado e você não é salvo. O perdão é precioso por uma única razão: ele o capacita a desfrutar da comunhão com Deus. Se esta não é razão por que você quer o perdão, você não o terá de maneira alguma. Deus não será usado como moeda para a compra de ídolos.

Também perguntamos: por que desejamos ter a vida eterna? Alguém pode responder: “Porque o inferno é a alternativa dolorosa”. Outro pode dizer: “Porque não haverá nenhuma tristeza no céu”. Outro pode replicar: “Meus queridos foram para o céu, e quero estar com eles”. Outros poderiam sonhar com sexo e alimentos intermináveis, ou com algo mais nobre. Em tudo isso, Alguém está ausente: Deus.

O motivo salvífico para querermos a vida eterna é apresentado em João 17.3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. Se queremos a vida eterna por ela significar outra coisa, e não o regozijo em Deus, não teremos essa vida. Enganamos a nós mesmos dizendo que somos cristãos, se usamos o glorioso evangelho de Cristo para buscar o que amamos mais do que buscamos o próprio Cristo. As “boas-novas” não se comprovarão como boas para qualquer pessoa que não tenha a Deus como seu principal bem.

Jonathan Edwards apresentou esta verdade em um sermão1 à sua igreja, em 1731. Leia estas palavras lentamente e permita que elas o despertem para a verdadeira vida e o verdadeiro bem do perdão.

Os redimidos têm todo o seu verdadeiro bem em Deus. Ele mesmo é o grande bem que possuem e desfrutam por meio da redenção. Deus é o bem mais sublime, a suma de todo o bem que Cristo adquiriu. Deus é a herança dos santos; é o quinhão da alma deles. Ele é a riqueza e o tesouro, o alimento, a vida, a habitação, o ornamento e a coroa, a glória eterna e duradoura dos santos. Eles não têm nada no céu, exceto a Deus. Ele é o grande bem no qual os crentes são recebidos na morte e para o qual eles devem ressurgir no fim do mundo. O Senhor Deus, Ele é a luz da Jerusalém celestial; é o “rio da água da vida” que corre e a “árvore da vida” que cresce “no paraíso de Deus”. As gloriosas excelências e belezas de Deus fascinarão para sempre a mente dos santos, e o amor de Deus será o deleite eterno deles. Com certeza, os redimidos desfrutarão outras alegrias. Eles se alegrarão com os anjos e uns com os outros. Mas aquilo que lhes encantará nos anjos e uns nos outros, ou em qualquer outra coisa; aquilo que lhes proporcionará deleite e felicidade será o que de Deus poderá ser visto neles.




Extraído do livro: Penetrado pela Palavra, de John Piper.
Copyright: © Editora FIEL 2009
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Essencial : Piper | A Supremacia de Cristo




Este próximo post da série O Essencial de John Piper concentra-se no ensinamento de John Piper sobre a Supremacia de Cristo – a verdade que Jesus Cristo é preeminente de todas as formas sobre todas as coisas. Aqui, nestas citações de Sex and the Supremacy of Christ, Part 2*, dada em nossa Conferência Nacional de 2004, John Piper nos exorta a saborear a supremacia de Cristo ao torná-lO supremo em nossas vidas cotidianas.


Todos os planetas da sua vida – sua sexualidade e desejos, seus compromissos e crenças, suas aspirações e sonhos, suas atitudes e convicções, seus hábitos e disciplinas, sua solidão e relacionamentos, seu trabalho e descanso, seus pensamentos e sentimentos – todos os planetas de sua vida estão seguros em órbita pela grandeza, gravidade e esplendor flamejante da supremacia de Jesus Cristo no centro da sua vida. E se Ele deixa de ser a brilhante, flamejante e satisfatória beleza no centro da sua vida, os planetas flutuarão em confusão, e uma centena de coisas estarão fora de controle, e mais cedo ou mais tarde elas irão colidir em destruição.


… Ah, que o Deus todo-poderoso nos ajude a ver e saborear a supremacia de Seu Filho. Entregue-se a isso. Estude isso. Cultive esta paixão. Coma, beba e durma esta busca em conhecer a supremacia de Cristo.



Por John Piper. © Desiring God. Website: desiringGod.org


Original:
Essential Piper. Website: desiringGod.org

Tradução:
voltemosaoevangelho.com

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